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| Jornalista e locutor David Greene, |
Um caso envolvendo rádio, tecnologia e inteligência artificial está movimentando o mercado internacional de comunicação. O jornalista e locutor David Greene, conhecido por seu trabalho na tradicional rádio pública NPR, entrou com um processo contra o Google nos Estados Unidos.
Greene afirma que a voz utilizada no NotebookLM, uma ferramenta de inteligência artificial do Google é extremamente semelhante à sua, com cadência, entonação e estilo de apresentação muito próximos. Segundo ele, colegas e ouvintes chegaram a perguntar se ele havia licenciado oficialmente sua voz para a empresa.
O processo foi aberto na Califórnia e gira em torno do uso indevido de identidade vocal, algo que vem se tornando um tema cada vez mais sensível com o avanço das tecnologias de clonagem de voz por IA.
O Google, por sua vez, nega as acusações. A empresa afirma que a voz utilizada na ferramenta pertence a um ator profissional contratado e que não houve qualquer uso da voz real do jornalista.
O NotebookLM é uma ferramenta experimental de inteligência artificial desenvolvida pelo Google. Ela funciona como um assistente inteligente que analisa documentos enviados pelo usuário, como textos, PDFs e anotações, e ajuda a organizar informações, gerar resumos e responder perguntas com base nesses conteúdos.
Um dos recursos que chamou mais atenção recentemente é a capacidade de transformar informações em áudios no estilo podcast, com vozes geradas por inteligência artificial conversando sobre o tema analisado. É justamente nessa funcionalidade que está o centro da polêmica.
O caso reacende um debate importante:
Até onde a inteligência artificial pode ir quando o assunto é voz?
Para profissionais do rádio, a voz não é apenas um instrumento de trabalho, é identidade, marca pessoal e conexão com o público. Com a evolução da IA, cresce também a preocupação sobre direitos autorais, direitos de imagem e proteção da identidade vocal.
Especialistas acreditam que esse processo pode abrir precedentes importantes para regulamentações futuras envolvendo o uso de vozes em tecnologias automatizadas.
E você, radialista?
Você se sentiria confortável ao saber que uma IA pode reproduzir um estilo muito parecido com o seu?
O avanço tecnológico é inevitável, mas o debate sobre limites e ética está só começando.
