Apesar do crescimento das plataformas digitais, dos serviços de streaming e dos podcasts, o rádio continua sendo um dos meios de comunicação mais presentes no cotidiano da população. Ainda assim, algumas ideias equivocadas sobre o meio permanecem no mercado, especialmente quando o assunto é audiência, público jovem e publicidade.
Mas o que dizem as pesquisas realizadas no Brasil?
Dados da Kantar IBOPE Media, da ABERT e de levantamentos regionais ajudam a colocar cinco desses mitos em perspectiva.
Mito 1: As pessoas não ouvem mais rádio.
Na verdade, o rádio continua alcançando uma parcela expressiva da população.
Segundo o Audio Pulse 2026, da Kantar IBOPE Media, o rádio alcança 77% da população nas 13 regiões metropolitanas pesquisadas. Isso representa quase oito em cada dez pessoas.
Entre os ouvintes, o tempo médio dedicado ao meio chega a 3 horas e 38 minutos por dia. Em todas as regiões analisadas, o alcance ultrapassa 70%.
Os números mostram que, mesmo diante da multiplicação das plataformas digitais, o rádio continua ocupando um espaço importante na rotina dos brasileiros.
Mito 2: Os jovens não ouvem mais rádio.
Na verdade, as novas gerações também fazem parte da audiência radiofônica.
Uma pesquisa da Kantar IBOPE Media, apresentada durante o Mídia Talks 2026, revelou que 59% dos jovens entre 15 e 29 anos em Natal (RN) ouvem rádio. No recorte do Nordeste, esse índice chega a 74%.
Outro levantamento, realizado pela ACAERT/IRP em Santa Catarina, apontou que 14% dos ouvintes pertencem à Geração Z, formada por pessoas entre 15 e 24 anos.
Os dados mostram que o rádio continua dialogando com diferentes gerações. O comportamento dos jovens mudou, os formatos de consumo se diversificaram, mas isso não significa que tenham abandonado o rádio.
Mito 3: O streaming já supera o rádio.
Na verdade, o crescimento do streaming não significa necessariamente a substituição do rádio.
O Audio Pulse 2026 mostra que 60% dos ouvintes de rádio também consomem música por serviços de streaming. Além disso, 31% acompanham podcasts.
O aparelho de rádio tradicional continua sendo a principal forma de acesso ao meio, utilizado por 76% dos ouvintes, enquanto o celular já aparece como outra alternativa, com 29%.
Os números mostram que o consumidor de áudio não precisa escolher apenas uma plataforma. Ele pode acompanhar sua emissora preferida durante o dia e utilizar serviços de streaming em outros momentos.
Mito 4: No carro, as pessoas preferem ouvir música pelo celular e pelas plataformas digitais.
Na verdade, o rádio continua presente na rotina de quem está ao volante.
Segundo o Audio Pulse 2026, da Kantar IBOPE Media, 27% dos ouvintes escutam rádio no carro particular. O aparelho tradicional também permanece como a principal forma de acesso ao rádio, citado por 76% dos ouvintes.
Embora o estudo não apresente uma comparação direta entre o tempo dedicado ao rádio e às plataformas digitais dentro dos veículos, os dados confirmam que o rádio continua acompanhando parte dos brasileiros em seus deslocamentos.
O avanço da conectividade ampliou as possibilidades de consumo de áudio, mas não eliminou a presença do rádio no automóvel.
Mito 5: Investir em rádio já não faz diferença para as campanhas publicitárias.
Na verdade, o rádio continua sendo uma ferramenta relevante para conectar marcas e consumidores.
O Inside Audio 2025, da Kantar IBOPE Media, aponta que 43% dos ouvintes já compraram ou pesquisaram algum produto ou serviço depois de ouvir uma publicidade em áudio. O levantamento também indica que 56% prestam atenção nos anúncios.
Outro dado apresentado no estudo Rádio 3.0, da ABERT, reforça a presença comercial do meio: 99 dos 100 maiores anunciantes do Brasil já utilizaram o rádio em suas campanhas.
Esses indicadores mostram que o rádio continua oferecendo oportunidades para marcas que buscam alcance, atenção e proximidade com o público.
O rádio mudou, mas continua presente
Os números ajudam a desmontar a ideia de que o rádio perdeu sua relevância diante das transformações tecnológicas. O meio continua alcançando uma parcela expressiva da população, está presente entre os jovens, acompanha os consumidores em diferentes ambientes e mantém importância no mercado publicitário.
Mais do que disputar espaço com as novas plataformas, o rádio também encontrou maneiras de fazer parte desse novo cenário, ampliando sua distribuição por aplicativos, streaming, sites e redes sociais.
A tecnologia mudou a forma de consumir conteúdo, mas a essência do rádio continua sendo a mesma, informação, entretenimento, companhia e conexão com as pessoas.
O rádio não parou no tempo. Ele acompanhou as mudanças e continua encontrando seu espaço na vida de milhões de brasileiros.
