» » Austrália exclui músicas feitas predominantemente por IA das paradas musicais




A inteligência artificial acaba de ganhar uma nova barreira no mercado musical australiano. A partir das paradas que entram em vigor nesta sexta-feira (28), músicas consideradas totalmente ou predominantemente criadas por inteligência artificial não poderão disputar as paradas oficiais da Austrália.

A decisão foi anunciada pela Australian Recording Industry Association (ARIA) e estabelece que a IA continuará podendo ser utilizada como ferramenta de produção. O que muda é a participação humana necessária para que uma gravação seja elegível.

Na prática, uma música produzida por artistas humanos que utilize inteligência artificial em determinadas etapas, como produção, edição ou outros recursos criativos, poderá continuar concorrendo. Já uma faixa em que a IA seja responsável pela maior parte da criação, incluindo composição, vocais e instrumentação, poderá ser excluída.

O caso que colocou a IA no centro da discussão

A mudança ganhou força após a repercussão de uma versão de “Like a Prayer”, de Madonna, produzida pelo DJ australiano Josh Fawaz. A gravação alcançou grande destaque nas rádios australianas e chegou ao topo do ranking de airplay.

Posteriormente, surgiram questionamentos sobre o uso de inteligência artificial na produção da faixa, incluindo elementos como vocais e bateria. O episódio provocou um debate sobre se músicas criadas predominantemente por IA deveriam competir nas mesmas condições que gravações produzidas por artistas humanos.

Para a ARIA, a resposta foi estabelecer uma separação mais clara.

IA está proibida na música?

Não.

A decisão australiana não proíbe músicas produzidas com inteligência artificial, nem impede artistas de utilizarem ferramentas de IA em seus processos criativos.

A discussão está justamente em definir quanto de participação humana é necessário para que uma música seja considerada uma obra elegível para as paradas.

E a questão pode ir muito além da Austrália.

Com ferramentas como o Suno e outras plataformas capazes de criar músicas completas em poucos minutos, a indústria fonográfica terá cada vez mais dificuldade para diferenciar uma produção tradicional de uma faixa criada quase integralmente por inteligência artificial.

E o rádio?

Para o setor de radiodifusão, a discussão também é importante.

Se uma música produzida predominantemente por IA conquistar grande audiência e começar a receber forte execução nas emissoras, surge uma pergunta inevitável: ela deve disputar espaço nas mesmas paradas e rankings que artistas e produtores humanos?

A decisão australiana pode acabar servindo como referência para outros mercados que já começam a enfrentar o crescimento acelerado da música gerada por inteligência artificial.

A tecnologia já entrou definitivamente no estúdio. Agora, a indústria começa a discutir quais serão as regras para colocá-la também nas paradas.

Postado por César Oliveira

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